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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Os 80 anos do autor e seu cinema: Truffaut



Nascido em 6 de fevereiro de 1932, o diretor francês deixou um legado de 26 filmes em 25 anos de carreira
06/02/2012 

João Gabriel Villar Cruz  

Cena final de "Les quatre cents coups"
(Os Incompreendidos) - Fotos: Divulgação
Tendo captado o olhar perdido de um menino confuso que caminha pela praia após ter visto o mar pela primeira vez, François Truffaut conseguiu expressar não só sua própria angústia quando adolescente, mas também um sentimento universal de dúvida solitária sobre o destino que todos devem enfrentar em algum momento. Foi essa imagem triste e bela a escolhida para fechar a primeira obra prima de um cinéfilo que viajou para o outro lado das telas. Além disso, tal imagem habitou a mente de quem saía do cinema em 1959, ano em que o jovem crítico e cineasta ganhou o premio do festival de Cannes, pelo seu autorretrato “Les quatre cents coups” (Traduzindo ao pé da letra ‘’Os quatrocentos golpes”, uma expressão francesa equivalente a “Pintando o sete”), transformado no Brasil em “Os incompreendidos”, outro título que, apesar de ter perdido muito da essência, traduz a atmosfera do filme e seu autor. 
Truffaut iniciou efetivamente sua carreira como crítico apadrinhado por seu amigo e mentor André Bazin, aclamado crítico que serviria como um pai para o ex-delinquente. Foi Bazin que o ingressou na lendária revista cinematográfica “Cahiers du Cinéma”, onde trabalharia ao lado de seu então grande amigo Jean-Luc Godard. Truffaut causou polêmica já em sua primeira reportagem, onde criticou o intocável padrão de qualidade do cinema francês, propondo mudanças tanto nos temas quanto em suas abordagens. Porém, não tinha apenas desafetos como crítico. Amante do cinema desde criança, assumiu seu amor por mestres como Alfred Hitchcock (a quem entrevistou em Paris para a Cahiers), Jean Renoir e Roberto Rosselini. E foram essa paixão e oposições ao modelo da época que o levaram, junto com Godard, a fundar um novo modo de fazer cinema, a “Nouvelle Vague” (“Nova onda”, em português). O novo movimento foi um sopro de renovação para o cinema francês e mundial. Influenciando, por exemplo, o movimento do Cinema Novo no Brasil. 
Após a inauguração do movimento -- que, segundo o diretor, em “Os incompreendidos" as delinqüências juvenis representavam a rebeldia e o rejuvenescimento necessário para o cinema --, Godard e Truffaut tiveram desavenças quanto aos rumos que deveriam tomar a Nouvelle Vague e romperam laços para nunca mais reatar. Mesmo após tentativas de aproximação por parte de Godard nos anos 80. 
Um ano depois à explosão de "Os Incompreendidos", Truffaut presenteou as plateias com uma emocionante e divertida sátira ao gênero de “Film Noir” norte-americano em “Tirez sur Le pianiste” (“Atire no pianista”). Em seguida, 1962, apresentou um marco na revolução sexual dos anos 60 com o belo e polêmico triângulo amoroso em “Jules et Jim”, que no Brasil recebeu o nome apelativo de "Uma Mulher para Dois". 
François Truffaut, com Jean-Luc
Godard  e Roman Polanski
Em “La nuit americaine” (A noite americana), de 1973, o diretor fez uma apaixonada homenagem ao processo cinematográfico. Com a película, Truffaut concorreu ao Oscar de diretor e trouxe à França a estatueta de melhor filme estrangeiro.
Conseguiu, em apenas 25 anos de carreira, dirigir 26 filmes, antes da sua morte prematura com um tumor no cérebro em 1984, tendo sido seu último grande filme “Le dernier métro” (“O último metrô), contando com os astros Catherine Deneuve e Gerard de Depardieu. O filme tratava do processo de criação de um espetáculo, servindo como a segunda parte de uma trilogia que se iniciou com “A noite americana” e nunca foi terminada. 
Cinema de Autores
Sua mais importante teoria como crítico foi a “Politique des auteurs” (A política autoral), que colocava o diretor de um filme como o principal responsável por sua obra, tal como um pintor, poeta, escritor, sendo assim os atores e equipe seu pincel e tela. Essa foi a principal inovação trazida pela “Nouvelle Vague”, e a sua marca. 
Na visão dos críticos, seus filmes não possuíam grandes sequências, brilhantes diálogos, ou histórias de tirar o fôlego, mas cativavam pela singeleza. Como em "Jules et Jim" onde os três vértices de um triângulo amoroso andam de bicicleta pelo campo, ao som de uma melodia orquestrada (cena que inspirou a icônica sequência de “Butch Cassidy and the Sundance Kid”, na qual Paul Newman e Katherine Ross andam de bicicleta ao som de “Raindrops keep falling on my head”). 
François Truffaut e Jean-Luc Godard antes da briga
Foi neste filme que Truffaut se apaixonou por Jeanne Moreau, então casada com o estilista Pierre Cardin, e conseguiu fazer com que todo o seu público também se apaixonasse (e como não se apaixonar?). O diretor eternizou Morreau na tela fazendo-a correr travestida de homem por uma ponte. Nas cenas de "Jules et Jim", o público sente as personagens por seus olhares, seus sorrisos, seus tons. Com cada movimento, mergulhamos mais na vida desses estranhos, em obras íntimas e sentimentais. O "sentimentalismo" foi um dos principais motivos da briga com Godard que não concordava com o caráter intimista da obra de Truffaut. Tal tradução da poesia para as telas, por mais que cada vez mais rara, pôde ser posteriormente atingida com maestria por outros mestres como Fellini (“8 ½”, “A doce vida”), David Lynch (“Veludo azul”, “O homem elefante”) e Michelangelo Antonioni (“Blow up”, “O deserto vermelho”). 
Não é à toa que Truffaut serviu como uma das principais inspirações para o renascimento de Hollywood, no qual um jovem grupo de diretores tentou recriar a arte do cinema europeu na América. Cineastas aclamados como Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, Brian de Palma e Steven Spielberg, este último seu grande fã e amigo, sendo que o diretor francês chegou a atuar em seu “Close encounters of the third kind” (“Contatos imediatos de terceiro grau”). Sua influência também chega ao cinema Pop moderno, exemplificado por Quentin Tarantino, que admitiu ter se baseado em “La mariée était en noir” (“A noiva estava de preto”) para criar “Kill Bill”, e ter tirado um pouco da atmosfera nonsense e narrativa não linear de “Atire no pianista” para conceber “Reservoir dogs” (“Cães de aluguel”). Pode-se até perceber traços de seu estilo ousado, simplório e poético no hoje clássico “The graduate” (“A primeira noite de um homem”), em muitos aspectos semelhante a “Jules e Jim”, e Dianne Keaton nos filmes de Woody Allen assemelha-se à doce e inconstante imagem passada por Jeanne Moreau nesse mesmo filme. 
É por tudo isso que Truffaut, antes de ser influência e arte, é essencial para que ama o cinema, com filmes capazes de entreter, divertir, encantar, tirar a paz, devolvê-la e, mais do que tudo, deixar em nossas bocas um gosto amargo de “Já passou?!”. 
Truffaut foi Antoine que era Jean-Pierre 
Mais do que um autorretrato de sua adolescência, "Os incompreendidos" previu nas telas a rebeldia de uma década que marcou a sociedade francesa e ocidental. Seu primeiro longa-metragem ainda teria quatro continuações. O moleque Antoine Doinel, de "Os Incompreendidos" cresceu e passou pelos desencantos e felicidade da juventude até chegar à maturidade de um homem solitário que separou e casou, servindo como uma espécie de alter-ego de Truffaut. 
Truffaut dirigindo Jean-Pierre Léaud 
Truffaut foi Antoine. E Antoine sempre foi Jean-Pierre Léaud. Na década de 60 Léaud tornou-se o queridinho dos diretores franceses, mas ficou marcado como o alter-ego de Truffaut. Engajado e contestador, ator esteve presente nas revoltas de maio em 1968 em Paris e chegou a vir ao Brasil para discursar para estudantes no mesmo ano. 
Contando sempre com Léaud no papel principal, expressou sentimentos íntimos filmando o ator em “Antoine et Colette” (1962),”Beijos proibidos” (1968), “Domicílio conjugal” (1970) e “Amor em fuga" (1979).

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Comuna de Paris: quando o proletariado tomou o céu de assalto - Portal Vermelho

O livro Comuna de Paris - o proletariado toma o céu de assalto, de Sílvio Costa, é relançado em coedição entre as editoras Anita Garibaldi, PUC-Goiás e Fundação Maurício Grabois. Ele situa o leitor no panorama histórico e os importantes fatos nele contidos e a correlação existente entre os acontecimentos, possibilitando-lhe tirar conclusões daqueles eventos.
Por Madalena Guasco Peixoto (*)

Na história da humanidade os acontecimentos se acumulam aos trilhões. Alguns se destacam, outros desaparecem em meio às inúmeras casualidades, próprias da maneira pela qual a história humana é tecida.
Compreender a importância de determinados fatos em relação aos demais — guardadas as necessárias correlações, quais sejam: retirar do particular o específico, buscando ultrapassar os limites estreitos do pontual, do cotidiano desprovido de lógica —, é tarefa científica, porque demanda o entendimento da história enquanto processo, conectada, não como uma sucessão de flashes, isolados; exige um mergulho no passado — por intermédio de uma análise —, de maneira a permitir que sejam destacados — entre tantos —, os fatos mais relevantes, os quais representam marcos que suscitam reflexões passíveis de atualização, todas as oportunidades que nos debruçamos sobre eles para estudo.
O interesse que move esse mergulho não é apenas teórico-abstrato mas é, sobretudo, ideológico, político e prático. Se o estudo histórico já tivesse sido entendido dessa maneira, a modernidade teria deixado um grande legado, não fossem tantos outros, os quais em nome do fim dessa modernidade e início de uma nova era — pós-moderna —, se reduzem metafisicamente aos dois extremos opostos, ou seja, simplificam o que é processo vulgarizando o estudo da história; pela negação da possibilidade do entendimento das relações e conecções de sua emaranhada teia.
Essa, portanto, tem sido a faceta mais sofisticada e sutil da proclamação do “fim da história”. Optar pelo estudo da história como ciência traduz-se numa escolha teórico- prática dentro da intrincada luta de ideias que ocorrida desde o final do século 20.
A Comuna de Paris é um estrondoso fato histórico, um enorme iceberg impresso na história da humanidade de forma definitiva, porque suscitou todos os tipos de registro e, desde aquela época, vem sendo estudado.
O próprio Karl Marx destacou a sua importância, retirando do que chamou "assalto aos céus" conclusões fundamentais, as quais vieram a compor-se como núcleo principal de sua teoria. No ano em que comemoramos 150 anos do Manifesto do Partido Comunista, a Comuna de Paris completa 127. E, a obra de Sílvio Costa nos ajuda a entender melhor a correlação entre estes dois relevantes acontecimentos.
Do Manifesto do Partido Comunista — programa maior, de luta pelo socialismo —, a construção em processo da teoria do proletariado decorre da análise das experiências históricas da tomada do poder pela classe operária.
O estudo da primeira revolução operária internacional, a Comuna de Paris, tem sempre relevância teórica. As reflexões que nascem desse estudo vão surgindo por meio da fácil leitura desta obra, Comuna de Paris: o proletariado toma o céu de assalto, dada a maneira didática como está construído o texto.
O trabalho de Sílvio Costa situa o leitor levando-o a entender o panorama histórico e os importantes fatos nele contidos e a correlação existente entre os acontecimentos, possibilitando ao leitor tirar as conclusões de tais ocorrências. Essa é uma preocupação que esta contida no corpo desta obra. Contudo, ela se expressa mais fortemente nos Anexos, apresentados em destaque ao final de sua edição.
A presente obra está marcada pelo empenho simultâneo de formar, informar e refletir. Trata-se de um cuidadoso projeto, o qual, ao ser publicado, traz em si a marca de um formador de opiniões, cujo estudo possui um objetivo prático: reflexão conjunta e crescimento mútuo.
Silvio Costa. Comuna de Paris - o proletariado toma o céu de assalto. São Paulo: Editora Anita Garibaldi; Goiânia : Editora PUC-Goiás, 2011
(*) Madalena Guasco Peixoto é professora na PUC-SP e Coordenadora da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (CONTEE).



domingo, 15 de janeiro de 2012

Fecha a pequena Portugal no Brasil


LIVRARIA CAMÕES, A “PEQUENA PORTUGAL NO BRASIL”, FECHA AS PORTAS


15/1/2012 7:40,  Por Vermelho
 
Após 40 anos, Livraria Camões anuncia fim das atividades. Notícia desencadeou onda de protestos no Brasil e em Portugal. Foi lá que a sobrinha-neta de Ofélia, namorada de Fernando Pessoa, lançou “Cartas de amor”, do poeta, e foi lá também que Saramago lançou o primeiro livro no Brasil.
Por Mauro Ventura, de O Globo.com

São apenas 75 metros quadrados, mas suficientes para abrigar Portugal. Ou, pelo menos, uma parte representativa de Portugal. É a Livraria Camões, no Shopping Avenida Central, no Centro do Rio, aberta em novembro de 1972 e frequentada por escritores, professores, pesquisadores, estudantes e entusiastas da cultura e da literatura portuguesa.
a, quase 40 anos depois, ela vai fechar as portas no dia 31. O anúncio vem mobilizando intelectuais no Brasil e em Portugal, que, por meio do Facebook (com a comunidade “A Livraria Camões é patrimônio do Rio de Janeiro”), do YouTube e de um abaixo-assinado, lutam para impedir a decisão.
Perplexidade em Portugal
Escritores como Maria Teresa Horta, Manuel Alegre e José Manuel Mendes criticam o “ato deplorável” que atinge “o valor estratégico que é a difusão da língua e cultura portuguesas”. O secretário-geral do Partido Socialista português, António Jose Seguro, demonstrou “perplexidade”. O partido, por sua vez, insurgiu-se contra a medida na Assembleia da República.
Gerente da livraria, José Estrela foi comunicado da determinação no dia 6 por uma carta assinada por Estêvão de Moura, presidente da Imprensa Nacional (INCM), editora que mantém a Camões.
“Estou vivendo minha segunda viuvez” — lamenta Estrela, que há 25 anos perdeu a mulher num acidente de carro. — “Mas jamais imaginaria que tanta gente admirasse o trabalho que fiz nesses 40 anos. Tenho recebido mensagens de carinho de todas as partes. Isso me dá uma alegria que paga todo o sofrimento que eu possa ter agora”.
Na carta, Estêvão de Moura diz que a “evolução tecnológica, social e cultural verificada ao longo deste tempo, com especial evidência nas duas últimas décadas, fez evoluir o contexto em que se inscreve a missão com que a Livraria Camões foi inicialmente constituída”. Além disso, os obstáculos “associados ao transporte e comercialização de livros e a representação da INCM numa única livraria no vasto território brasileiro limitaram fortemente a divulgação das nossas obras no Brasil e comprometeram irremediavelmente a situação econômico-financeira” da Camões.
À agência Lusa, o diretor de marketing estratégico da INCM, Alcides Gama, acrescentou que hoje é possível para a livraria prestar o mesmo serviço, de forma mais eficaz, por meio das novas tecnologias. A professora Gilda Santos, da UFRJ, rebate:
“Nosso pasmo é que, enquanto as editoras Leya e Babel estão entrando com toda força no Brasil, a Imprensa Nacional diz que a Camões está obsoleta. Por que então não a transformam num centro de encomendas via internet? Por que não manter o espaço e reinventar formas de o dinamizar?”, diz.
Maior especialista em literatura portuguesa do país, a acadêmica Cleonice Berardinelli escreveu para Estêvão lamentando o fechamento do “último reduto, no Rio, da aquisição de livros de Portugal” e buscando a possibilidade de se revogar “tão drástica decisão”.
Acordo cultural
A Camões foi aberta como parte de um acordo cultural entre os dois países. De lá para cá, virou ponto de referência.
“Chegamos a ter 114 editoras portuguesas representadas. Ela é o pedacinho de Portugal mais perto dos brasileiros. É aqui que se viam as produções mais recentes, que as pessoas bebiam as novidades, diz Estrela: ”Importamos dois milhões de livros portugueses. E, somente de 1984 a 1986, vendemos 200 mil exemplares. Ela é pequena, mas era daqui que atingíamos o Brasil inteiro”.
Estrela percorreu todos os estados com os vendedores.
“Saíamos de ônibus e andávamos horas até, por exemplo, Belém do Pará. Chegávamos de madrugada e tínhamos que esperar o comércio abrir. Dormíamos nas estações rodoviárias com as malas amarradas às pernas para ninguém levar”, conta.
Essa espécie de pequena Portugal era palco de lançamentos de autores como Lídia Jorge e Augustina Bessa. Foi lá que a sobrinha-neta de Ofélia, namorada de Fernando Pessoa, lançou “Cartas de amor”, do poeta.
“Foi aqui que José Saramago lançou seu primeiro livro no Brasil”, lembra Estrela, nascido na aldeia de Pardilhó, no distrito português de Aveiro.
No Facebook, a ensaísta, crítica literária e professora portuguesa Maria Alzira Seixo lembra o que Saramago dizia do gerente: “O Estrela é Portugal no Brasil. Instiga os brasileiros a comprarem os nossos livros — mas a nós, que sabe que os lemos e temos, quer é nos mostrar a maravilha que é o Brasil. Este homem é um achado, um grande divulgador da cultura portuguesa através do livro, e um cultor das relações Portugal-Brasil.”
Nos últimos tempos, a Camões vinha enfrentando prejuízos. Em 2011, ela não importou um único livro.
“Lisboa não mandava. As vendas então caíram muito”, explica ele.
De cinco anos para cá, o que era comercializado não dava para pagar as despesas de 35 mil mensais. Os 18 empregados diminuíram para cinco.
Com o iminente fechamento, ele ainda não sabe o que fazer.
“Vou viver meus últimos anos. Talvez continue com livros”, diz, aos 76 anos.
Sobre os livros da Camões, vai vendê-los “para quem quiser” comprar, sejam particulares, bibliotecas, livrarias ou universidades.
Fonte: O Globo.com

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011


Traduzir-se
Ferreira Gullar 

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte
- será arte?

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

ELAS - DIA INTERNACIONAL DA MULHER


Coprodução e Marcelo Marzagão e André Abujamra. Trecho do filme: "Nós que aqui estamos por vós esperamos"