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sábado, 17 de março de 2012

Sem uma esquerda partidária forte, para onde vai o mundo?


Sem uma esquerda partidária forte, para onde vai o mundo?

*Por Milton Temer

É a questão fundamental de nosso tempo. Para onde caminha a humanidade com a forma predatória e antisocial com que se afirma de forma crescente e acelerada a hegemonia do grande capital financeiro? Com a forma como se afirma a perversidade das austeridades fiscais que sufocam homens e mulheres dependentes de seus empregos e salários com a mesma intensidade com que se transferem recursos públicos infindáveis para os cofres dos que mais responsabilidade têm na geração do caos econômico dos tempos atuais?

O desabafo vem por conta do artigo produzido por um dos yuppies do nosso “livre mercado”, Rodrigo Constantino, em artigo produzido no Globo de hoje. Ali ele faz – por via indireta, numa espécie de resenha de um livro típico das bibliotecas “neocon” das organizações fundamentalistas norte-americanas – a apologia da “liberdade individual” absoluta. E o faz, ao fim e ao cabo, através da condenação de um princípio inscrito na Revolução Francesa, ao consolidar o poder burguês contra o absolutismo que marcava o regime monárquico anterior. O faz, transformando a preocupação com o social em marca do autoritarismo; negando a fraternidade como um objetivo a alcançar numa sociedade humanisticamente avançada. A valorização da solidariedade seria uma forma de garantir os incompetentes contra os mais produtivos…

O trágico nisso tudo é que o anseio de restabelecer a ordem natural – a chamada lei da selva em que o predador mais forte consome o mais débil – como modelo social vem se espraiando rapidamente. Faz sentido, na lógica predominante dos governos reacionários das principais potências capitalistas, eleitos em sufrágios universais,  e de seus formuladores na grande mídia conservadora. Mas é algo absurdo, se considerarmos o que representa de retrocesso no entendimento que o ser humanos só pode sobreviver dignamente em ambiente social regulamentado. Onde, no mínimo, se garanta a aplicação da Carta de Direitos que gerou a fundação da ONU. Afinal, foi essa a resposta que a humanidade encontrou como melhor antídoto ao advento da barbárie previsível caso tivesse prevalecido a vitória do III Reich nazista, na II Guerra Mundial.

É aí que se impõe a busca de solução ao desafio para as forças sociais que não aceitam esse retrocesso: com que roupa?, como indagaria o saudoso poeta da Vila.

O século XXI se marca pelo ceticismo e pela ausência de participação política daqueles que, no século XX, como segmento social, se engajaram na “assalto ao céu”. Os que viram perto a conquista de uma certa utopia, nas processos revolucionários que se iniciaram na Russia e chegaram a Cuba. Na solidariedade às lutas antiimperialistas na Ásia e na África. Na integração com a vaga anticapitalista e anunciadamente transformadora do 68, na Europa e nas Américas (inclusive nos Estados Unidos, com os Black Panters e as revoltas universitárias). Ceticismo e ausência de participação, ambos cronologicamente instalados com a autodissolução da União Soviética e com os descaminhos dos outrora heróicos processos libertários na China e no Vietnam. E que, se encontram atualmente alguma variável mais otimista com a sobrevivência de Cuba e com o surgimento dos governos bolivarianos na América Latina, se defrontam com a ascensão de uma direita radical que consegue amplas vitórias institucionais, a despeito de alguns suspiros movimentistas sem maiores condições conclusivas, nos principais países capitalistas.

O povo grego está nas ruas. Mas, nas instâncias deliberativas do Parlamento, socialdemocratas se rendem a uma aliança com a direita fascista na submissãos aos ditames da chanceler Merkel. Que consegue, pela opressão financeira e a cumplicidade das classes dominantes dos países europeus, instalar o Reich sonhado por Hitler, com a Gestapo e os campos de concentração.

“Indignados” jovens ocuparam praças da Espanha, mas não conseguiram impedir que seus pais elegessem um primeiro ministro, com maioria reacionária absoluta no Congresso. É o general Milan Astray voltando a se impor a Unamuno, numa nova derrota da República contra o franquismo.

Com que roupa, volta a pergunta, reagimos?

Só há uma saída, e ela tem que ser construída a partir do entendimento sobre o polo unificador das esquerdas anticapitalistas na determinação do sujeito histórico revolucionário de nosso tempo, assim de seus instrumentos combate político mais eficazes.

É possível reproduzir o século XX e suas circunstâncias? Certamente que não. É possível pensar em processos insurrecionais, a partir do movimentismo espontâneo? Certamente que não. Na Primavera Árabe, não foram os insurgentes progressistas que receberam armas e ajuda da OTAN e dos Estados Unidos, nem recursos e mercenários da Arábia Saudita e do Quatar. Pelo contrário.

As classes trabalhadoras, o segmento produtivo que vive de seu salário, se encontram fragmentadas em torno de diferenças materiais objetivas, no chamado Ocidente. O próprio avanço tecnológico, com predominância do caráter sagrado da propriedade privada sobre a sua função social, produziu o esvaziamento das linhas de montagem e, por consequência, dos próprios sindicatos. Graças ã “livre circulação”, promovida pela contra-revolução Reagan-Tatcher, indústrias de ponta são transferidos para regiões do mundo onde o trabalho escravo é alternativa de sobrevivência à miséria absoluta. O que transforma antigos núcleos operários, votantes da esquerda socialista ou comunista, em bastiões da xenofobia anti-imigração, e caldo de cultura para o neonazismo.

O quadro não deixa dúvidas quanto à Europa estar muito mais para anos 30 do que para o pós-II Guerra Mundial.

O que cabe à esquerda sobrevivente, a que não se rendeu nem se vendeu, é mergulhar nas potencialidades fragmentadas que a nova conjuntura impôs. Se não temos os grandes meios de comunicação de massa, temos que ir para as redes sociais. E, a partir delas, consolidar os partidos revolucionários em âmbito nacional, com permanente relação internacional. Dar rumo e política à indignação das ruas, mas sem desprezar – pelo contrário, tentando recuperar o espaço – a batalha institucional das urnas. Uma batalha que não pode se limitar a responder à pauta minimalista que a grande mídia conservadora tenta impor. Uma batalha que fundamente a necessidade essencial da desconstrução do regime capitalista com saída única para que a humanidade não mergulhe no caos irreversível da barbárie auto-destrutiva. Consolidando as lutas dirigidas – ambientais, antiraciais, feministas -, mas sem desvinculá-las da visão universal do embate entre classes sociais. Uma feminista de direita pode ser inimiga mais perigosa do que um patrão. Estão aí Tatcher e Merkel para comprovar. Malcom X já comprovava que a luta pela igualdade racial abirgava muito falacioso, que não unia a luta pela liberação dos negros à condenação do regime capitalista. E os “verdes” europeus – CohnBandit, como exemplo maior, em seus votos no Parlamento continental – estão aí para provar, com reforço dos nossos, que lutar contra o ambiente termina propiciando rendosas alianças com o grande capital.

A esperança não pode falecer, mesmo que tudo leve a dela nos desligarmos. Depende de nós e recorro aqui ao episódio final do “Fahrenheit 451, obra-prima de Truffaut. Do que tratava o filme? De uma cidade onde o corpo de bombeiros existia para incendiar bibliotecas. Para, portanto, apagar o fogo das idéias e manter o status quo. A “ordem constituida” conseguiu muito, mas não tudo. Na últma cena, num acampamento de refugiados clandestinos, um homem caminha declamando Dom Quijote, para que a criança que levava pela mão, repetindo, não deixasse morrer a memória do texto para as gerações seguintes. Venceu, pelo menos até agora, à sua forma.

*Milton Temer é jornalista, socialista, libertário.

**Fonte: Luta que Segue

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O clichê anti-BBB



Como no Big Brother, existe uma maneira muito simples de a gente parecer mais interessante do que de fato é diante de uma multidão. Basta criar uma conta no Facebook e manifestar desprezo por qualquer coisa que seja popular. Como o Big Brother ou o Orkut.
Em janeiro, quando as inserções do Pedro Bial passam a ser mais frequentes na tevê, o movimento de pudores eletrônicos ganha um tom de campanha política.

Depois do Facebook, ficou muito fácil manifestar nossos bons gostos e engajamentos pela internet. 
Depois que inventaram as correntes de Facebook (espécie de tevê a cores a substituir o pré-histórico jogo da velha que indicava uma hashtag), ficou muito fácil manifestar nossos bons gostos e engajamentos pela internet.

Basta compartilhar as fotos com as inscrições “Odeio BBB”, “Fora Pedro Bial”, “Meu sofá da sala não é privada”, “Morte ao Paredão”.

Pega muito bem.

Se houvesse um guia prático do internauta moderno (sim, porque existem os internautas da velha guarda, uns que se deixarem mandam até a íntegra da missa aos domingos), a ojeriza aos reality shows seria a regra número 1.

Mas não só.

Para parecer um cara muito legal na internet e na vida, é preciso também:

- Bater no Michel Teló. Sem dó. Como se ele fosse o Sarney. Todo mundo vai pensar que você morre de saudade dos tempos do sertanejão de raiz, ainda que o mais perto que você tenha chegado de um boi foi naquela visita ao Pet Zoo;

- Ter sempre em seu mural algum auto-retrato pintado da Frida Khalo (serve uma foto em preto e branco) e desenhos estilizados do Tarantino, do Almodóvar, do Che Guevara e daqueles quatro meninos de Liverpool atravessando a zebra de pedestres em Abbey Road. Não é preciso esclarecer a conexão entre eles;

- Fazer um minuto a minuto sobre a sua ansiedade pelo próximo show dos Strokes ou do Arcade Fire no Brasil. De preferência, sem pontos de exclamação nos posts, para não ser confundido (a) com fã de pagode;

- Vale a pena também iniciar, em sua página, uma contagem regressiva para a Feira Literária Internacional de Paraty. Pode começar em qualquer época do ano: “Faltam 291 dias para Flip”;

- De vez em quando, diga como anda sua vida acadêmica e comemore em letras garrafais quando chegar a formatura. Não se esqueça de dizer que A-M-A a profissão escolhida. No Facebook não existe gente frustada no campo profissional;

- Conte sempre coisas fofas vividas em ambiente familiar, ainda que te digam que o que se vive entre quatro paredes deva ficar entre quatro paredes;

-Vai a Paris, Roma, Viena ou Nova York? Avise todo mundo pedindo dicas de lugares para os amigos. Chegando lá, não espere a volta para postar impressões e fotos, ainda que você passe 90% do seu tempo livre na sala de internet do hotel;

- Não importa que o Parque Nacional do Xingu fique em Mato Grosso: seja sempre contra qualquer intervenção humana no Pará. Se não colar, lembre também que o País da corrupção não está pronto para receber eventos do porte de uma Copa, uma Olimpíada, um Cirque du Soleil;

- Lista de artistas brasileiros que DEVEM constar das suas preferências musicais: João Gilberto (aquele do “vai, minha tristeeeeeza…”), Chico Buarque (“estava à toa na vida, o meu amor me chamou”), Cartola (ver também: Mangueira. É um morro, além de escola de samba), Noel (o daquela caricatura com nariz grande, cigarro meio desprendido na boca…), Pixinguinha (o moço das bochechas). Engenheiros do Hawaii e Roupa Nova, que te levaram às lágrimas depois daquele fora no colegial, NEM PENSAR. Mantenha certa distância também de Raul Seixas (tiozão demais, coisa de hippie doido);

-Tome duas doses de Clarice Lispector todos os dias. Adicione, de vez em quando, aquele poema da Fidelidade do Vinícius de Moraes (“de tudo ao meu amor serei atento antes…”) e algum pensamento do dia escrito por Mário Quintana ou Caio Fernando Abreu (se não tiver nenhum livro deles em casa, jogue no Google alguma letra sobre despedidas cantada pelo Alexandre Pires. Se não citar a autoria, todo mundo vai achar o máximo). Se estiver de bom humor, use qualquer frase atribuída ao Luís Fernando Veríssimo. Em dias de mau humor, use Arnaldo Jabor (o cineasta e o comentarista são as mesmas pessoas, mas não parece);

- Faça print screen de erros gramaticais alheios e compartilhe, em tom de lamento, o que você considera um erro grosseiro. De quando em quando, solte um: “Maldita inclusão digital”. É tiro e queda;

- Quando algum autor de renome for dar aquela palestra marota no Sesc perto de casa, marque dois ou três amigos em seu mural e provoque alarde para todo mundo saber: “Vamos, né??????”. Não esqueça de postar o link relacionado;

- Curta a página de qualquer bar com mais de cinco anos de fundação no entorno da rua Augusta; dê preferência ao Ibotirama;

-Use e abuse de qualquer onda retrô. Está sempre em moda;

- Compartilhe diariamente sua indignação com a política nacional. Lembre todos os dias que o governo não presta e que Brasília seria muito melhor se, no lugar do Congresso, funcionasse um estacionamento. É de bom tom ignorar que os governos totalitários do século XX também transformaram seus Legislativos em estacionamento;

- Não conte, nem sob tortura, que você adora passar no Mcdonalds depois do rolé pelo Espaço Unibanco;

- Deixe sempre claro que você é habitué de lugares incríveis, como as praias de Trindade-Paraty ou o sofá do Outback;

- Compartilhe qualquer reportagem relacionada ao D.O.M, o mais premiado restaurante brasileiro lá fora, e expresse sua intimidade com o nome de Alex Atala.

Feito isso, você espantará qualquer fantasma da breguice e do lugar-comum que contamina este país que a gente gosta de chamar de atrasado.

Ninguém vai dar a mínima, mas o importante é ficar bem com a gente mesmo. Ou viver cada minuto como se fosse o último. E dormir com a consciência tranquila. Ou qualquer outro clichê que sirva.

Matheus Pichonelli

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

FACEBOOKISTÃO, UM LUGAR PARA CURTIR


Visitei terras e culturas diferentes. Percorri boa parte do Oriente Médio e da Ásia. Travei contato com diversos povos. Fui um dos primeiros ocidentais a percorrer a Rota da Seda, em busca de um tecido que, ao ser rasgado, se transformasse em elogio. Sou cartão platinum em quase todas as companhias. Por isso, posso dizer de cadeira: não há lugar no mundo como o Facebookistão.

Esse país, de paisagem branca e azul, congrega mais de 800 milhões de pessoas. Um em cada 13 habitantes do planeta vive lá. Dentro de suas fronteiras falam-se algo em torno de 70 idiomas. Não incluindo aí o novo léxico pictórico, tipo \o/ , :) , :( etc.

A população é essencialmente linda, bem-sucedida, de gosto refinado, preocupada com a justiça social, o meio ambiente e os animais. É um povo muito receptivo. Cada pessoa tem por volta de 130 amigos. A maioria só convive mesmo com uns 4 desses 130. Mesmo assim estão sempre abertos a novas solicitações, não sem antes olhar o álbum de fotos do pretendente, é claro.

O ambiente é democrático, apesar de ser uma monarquia absoluta. O monarca, de apenas 28 anos, pode não só fazer as leis, como também excluir qualquer pessoa que estiver, inclusive, andando na linha. Em breve, o rei, como muitos outros governantes, venderá a nação para o mercado financeiro através de um IPO.

Nesse estranho país, protesta-se contra reacionários, insensíveis, fofoqueiros, sertanejos, funkeiros, homofóbicos, racistas, corruptos, fúteis, ditadores, mal-educados. O efeito dessas vozes dentro do território é inócuo, uma vez que ninguém lá possui tais defeitos. É muito comum no Facebookistão as pessoas protestarem também contra a falta de privacidade de seus dados. Poucos têm paciência de ler atentamente as cláusulas que regem o uso das informações fornecidas. Estes preferem usar o tempo para relatar publicamente como anda sua digestão ou expor as fotos da operação de fimose.

A principal atividade é a postagem. Todo dia, a população publica mais de 250 milhões de fotos. A cada 20 minutos, 10 milhões de comentários são escritos, 2 milhões de perfis são atualizados e 1 milhão de links são compartilhados. Que trabalho terão os cientistas sociais do futuro.

A moeda de troca é o like. Trocam-se likes por mais likes. O que no fim das contas não faz a economia produzir valor. A não ser para o monarca, que, com esse intenso tráfego de gentilezas, vende com mais facilidade os espaços publicitários aos anunciantes.

Quando conto essas coisas, as pessoas pensam que estou inventando ou que fiquei louco, acham que é mais uma viagem de Marco Polo.

Enfim, se você se interessou em visitar, saiba que, ao contrário da Europa e dos Estados Unidos, entrar para essa comunidade especial é simples. Basta apresentar seu nome, um e-mail e a data de nascimento. Esses dados nem precisam ser verdadeiros. Entrar é facílimo, difícil mesmo é sair.
Vitor Knijnik

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Isso sim é primazia

Vi todos os meus compatriotas chorando e olhando para o nada, resolvi perguntar:
- Qual a razão desse choro?
Ninguém respondeu...
Como já estava atrasada para meu compromisso, não dei atenção e segui o “meu” caminho.
Durante toda a jornada, fiz a mesma coisa: arrumei as documentações dos clientes interessados em adquirir um imóvel, quando acabou o expediente, segui normalmente para casa e não observo nada ao meu redor, estava tão afobada, tinha que preparar o jantar.
Chegando a casa, joguei os sapatos em qualquer canto, sentei um pouco e como costume ligo a TV e um som horrível invade meu mundo....
- Morreu, matou, assaltou, eu falei, prenderam, roubou, coitado, político corrupto, governo que é culpado, compre uma TV LCD, os homens de bem dirigem o carro X..., fique mais bonita, Dengue...
Dou um grito:
- Chega!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Levanto e vou até a cozinha preparar algo para comer, tomo uma ducha bem gostosa e coloco uma roupa confortável.
Olho o relógio e noto que a noite já é presente e ainda não fiz nada, estou sempre cansada, parece que falta até o ar, durmo e na manhã seguinte... o mesmo ritual.
O tempo sempre presente, e meu cotidiano ausente...
- Ausente?????????
- Por qual razão???????
Faço essa pergunta ao meu companheiro consciência...
Ele mostra as pessoas chorando novamente...
Vou até elas e pergunto:
- Qual a razão do choro????
Um menino lindo, de olhos negros e com um olhar sem rumo, sorri e fala:
- Não liga não moça... Todos os dias eu choro e alguém  indaga o motivo... 
Vá, siga seu caminho, nosso problema não tem solução...
Disse:
- Ok
Fui embora e concordei com o menino!!!
Oras, estou atribulada demais com os documentos da casa “própria” do meu cliente, esta que  é a minha primazia...

Diva Franco.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Pensar dói?



Pensar dói?
Por: Por Thomaz Wood Jr *
Em texto publicado no New York Times, Neal Gabler, da Universidade do Sul da Califórnia, argumenta que vivemos em uma sociedade na qual ter informações tornou-se mais importante do que pensar: uma era pós-ideias.

No texto atual, Gabler troca o foco do entretenimento para a informação. Seu ponto de partida é uma constatação desconcertante: vivemos em uma sociedade vazia de grandes ideias, leia-se, conceitos e teorias influentes, capazes de mudar nossa maneira de ver o mundo. De fato, é paradoxal verificar que nossa era, com seus gigantescos aparatos de pesquisa e desenvolvimento, o acesso facilitado a informações, os recursos maciços investidos em inovação e centenas de publicações científicas, não seja capaz de gerar ideias revolucionárias, como aquelas desenvolvidas em outros tempos por Einstein, Freud e Marx.

Não somos menos inteligentes do que nossos ancestrais. A razão para a esqualidez de nossas ideias, segundo o autor, é que vivemos em um mundo no qual ideias que não podem ser rapidamente transformadas em negócios e lucros são relegadas às margens. Tal condição é acompanhada pelo declínio dos ideais iluministas – o primado da razão, da ciência e da lógica – e a ascensão da superstição, da fé e da ortodoxia. Nossos avanços tecnológicos são notáveis, porém estamos retrocedendo, trocando modos avançados de pensamento por modos primitivos.

Gabler critica o afastamento das universidades do mundo real, operando como grandes burocracias e valorizando o trabalho hiperespecializado em detrimento da ousadia. Critica também o culto da mídia por pseudoespecialistas, que defendem ideias pretensamente impactantes, porém inócuas.

No entanto, o autor aponta que a principal causa da debilidade das nossas ideias é o excesso de informações. Antes, nós coletávamos informações para construir conhecimento. Procurávamos compreender o mundo. Hoje, graças à internet, temos acesso facilitado a qualquer informação, de qualquer fonte, em qualquer parte do planeta. Colocamos a informação acima do conhecimento. Temos acesso a tantas informações que não temos tempo para processá-las.
Assim, somos induzidos a fazer delas um uso meramente instrumental: nós as usamos para nos manter à tona, para preencher nossas reuniões profissionais e nossas relações pessoais. Estamos substituindo as antigas conversas, com seu encadeamento de ideias e sua construção de sentidos, por simples trocas de informações. Saber, ou possuir informação, tornou-se mais importante do que conhecer; mais importante porque tem mais valor, porque nos mantêm à tona, conectados em nossas infinitas redes de pseudorrelações.

As novas gerações estão adotando maciçamente as mídias sociais, fazendo delas sua forma primária de comunicação. Para Glaber, tais mídias fomentam hábitos mentais que são opostos àqueles necessários para gerar ideias. Elas substituem raciocínios lógicos e argumentos por fragmentos de comunicação e opiniões descompromissadas.

O mesmo fenômeno atinge as gerações mais velhas. Nas empresas, muitos executivos passam parte considerável de seu tempo captando fragmentos de notícias sobre mercados, concorrentes e clientes. Seu comportamento é o mesmo no mundo virtual e no mundo real: eles navegam pela internet como navegam por reuniões de negócios. Vivem a colher informações e distribuí-las, sem vontade ou tempo para analisá-las. Tornam-se máquinas de captação e reprodução. À noite, em casa, repetem o comportamento nas mídias sociais. Seguem a vida dos amigos e dos amigos dos amigos; comunicam-se por uma orgia de imagens e frases curtas, signos cheios de significado e vazios de sentido.
O futuro aponta para a disponibilidade cada vez maior de informações. A consequência para a sociedade, segundo Gabler, é a desvalorização das ideias, dos pensadores e da ciência. A considerar a velocidade com que livros e outros textos estão sendo digitalizados e disponibilizados na internet, estamos no limiar de ter todas as informações existentes no mundo ao nosso dispor. O problema é que, quando chegarmos lá, não haverá mais ninguém para pensar a respeito delas.

Pode-se acusar o ensaísta de nostalgia infundada ou ludismo. Porém, ele não está só. Felizmente, há sempre um grupo de livres pensadores a se colocar contra o conformismo massacrante das modas tecnológicas e comportamentais, nesta e em outras eras.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

FOME


DOAÇÃO DE ALIMENTOS



Clique Alimentos: um serviço gratuito de doação


Uma proposta muito interessante para aproximar as empresas e cidadãos comuns em prol da doação de alimentos para famílias carentes vem sendo apresentada pelo Banco de Alimentos do Rio Grande do Sul. Através da campanha “Clique Alimentos”, a entidade já conseguiu arrecadar e distribuir mais de 1,5 milhões de quilos de alimentos por mais de 16 cidades do próprio estado e também do Rio de Janeiro.
O site da campanha possibilita o internauta a escolher uma cidade, escolher uma empresa,  clicar no botão ao lado “Clique e doe” e pronto. O seu clique é gratuito, pois uma das 152 empresas patrocinadoras fazem a doação por você, tendo em troca as suas marcas expostas como parceiras do site.
A proposta é inovadora e vez se mostrando muito eficiente nos seus dois anos de existência. As famílias recebem os alimentos através das 730 entidades cadastradas no programa do próprio Banco de Alimentos RS, e as empresas podem facilmente se cadastrarem pelo site da campanha. Cada clique (doação) pode ser feito a cada quinze minutos e o doador pode optar também pelo modo randômico, onde o “Clique Alimentos” identificará as instituições mais necessitadas no momento e direcionará um quilo de alimentos diretamente para a mesma.
Faça parte dessa corrente e compartilhe a notícia com seus amigos, pois com apenas um clique você pode melhorar a condição de vida de muitas pessoas. Acesse aqui o site!


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Poesia - DEUS COMUNISTA

Poesia - DEUS COMUNISTA

MEUS DEUS É COMUNISTA


Essa é minha oração

Por Miriam Pacheco da Silva Seixas


Deus! Hoje faria uma oração diferente,

Talvez quem a escute ache que é de uma descrente.

Mas em segredo Lhe revelo o que pra mim Tu és.


Tu, Deus, pra mim é comunista.

Disso tenho certeza, pois no comunismo acredito,

como acredito na criação do firmamento.

E se alguém disser que sou louca por isso dizer,

Direi não. Para mim Deus comunista há de Ser.


Deus! Porque isto afirmarei?

Afirmarei por que O vejo... Glorioso Deus,

que Tu está em tudo que vejo.

Está nos raios de sol que invade grutas e matas.

Está na maravilha do amanhecer e ao surgir a escuridão do anoitecer.

Está nas gotas de orvalho que cai na terra e em milagre faz germinar

uma semente, sinal de vida.


Está ainda, em gestos singelos, de seres sinceros,

que acreditam na igualdades dos povos,

e no direito comum para todos.

E com sinceridade, pratica o bem sem olhar a quem.


Tu! Ó Deus!

É tão comunista, que a nós, suas criaturas,

nos fez a sua imagem e semelhança,

e Tu és tão comunista que ainda disse: " façamos",

Tu dividiu sua obra com os demais entes divinos.

E pra nos resgatar deu seu filho unigênito

para ser nosso primogênito.

De criaturas nos fez filhos.


É um pai amoroso, como é um comunista.

Respeita a individualidade de cada criança sua.

Por isso, nos deu o livre arbítrio.

E ainda digo mais...


Se não fôssemos, nós, homens errados,

De Ti aprenderíamos a lição, amar ao próximo

em qualquer condição.


Mas erramos demais e demais pecamos,

e mesmo assim Tu és paciente,

nos espera confiante.


E nos fez uma promessa:


Nos dará novos céus e nova terra.

E, acredito Meu Deus, que isso só se dará

Se o ser humano em Ti espelhar,

E, na Nova Jerusalém do Céu,

Todos então, comunistas serão.


Amem!           

“As redes sociais não farão a revolução. As pessoas que as usam sim”

“As redes sociais não farão a revolução. As pessoas que as usam sim”





Por Diângeli Soares

No último dia 06 de Julho, Caxias do Sul recebeu uma visitante especial: A blogueira e jornalista cubana Norelys Morales Aguilera, criadora do blog “Islamia” e promotora dos "Blogueros y Corresponsales de la Revolución", uma rede virtual criada em 2005 e que já conta com mais de mil membros, em pelo menos trinta países. “O Blogueros y Corresponsales de la Revolución é um competidor do facebook” diz Norelys. “Não podemos esquecer que por trás das redes sociais está a ideologia. Nenhuma ferramenta é neutra”.

As duras críticas da blogueira ao Facebook são dirigidas à crescente simbiose entre a rede e a Casa Branca. Desde o sucesso de Chris Hughes, co-fundador do Facebook, nas eleições que elegeram Barack Obama em 2008, a aproximação entre os democratas e a marca só cresceu. Como era de se esperar, esta parceira tem explicação econômica: Um dos principais interesses do Facebook junto ao governo americano é conter o avanço de políticas contra a invasão de privacidade. As informações pessoais dos usuários do facebook são uma peça chave para o desenvolvimento de grandes ações publicitárias, uma vez que permitem o mapeamento de hábitos e preferências do público em geral. Em um mundo dominado pelo consumismo, em que a propaganda desempenha um papel central, o acesso a estas informações é, antes de tudo, uma questão de muito dinheiro. Daí o interesse da rede em parcerias junto ao poder.

Jantar de OBAMA com empresários da área da tecnologia.
Outra crítica da cubana é em relação ao próprio conceito de “rede social”. Norelys afirma que as redes sociais não são invenção, tampouco propriedade dos mega empresários da Internet. “Rede Social” é qualquer instrumento que a agregue e congregue pessoas. E ainda que reconheça a potencialidade destas novas tecnologias, Norelys alerta contra ilusões: As redes sociais, por si só, não farão a Revolução, assim como os jornais e a televisão não a fizeram. Em outras palavras, a comunicação não substitui a organização. O trabalho militante, na vida real, é mais necessário do que nunca.

Yoani Sanches

Norelys não poupa críticas à sua compatriota, Yoani Sanches. Em seu blog, “Islamia”, estampa uma foto bem grande da contra-revolucionária com os dizeres: “Indigência intelectual. Made in USA”. Norelys afirma que Yoani é um exemplo de como o bloqueio midiático contra cuba é um bloqueio qualificado: As notas oficiais do governo cubano desmentindo acusações infundadas nunca passam pelo bloqueio da mídia internacional. Já as idéias de uma simples cidadã - entre milhões de outros simples cidadãos - são recebidas como verdades incontestes. É como se qualquer um de nós fosse eleito a “voz da razão” em nossos países. Pena que não aceitam as nossas criticas ao capitalismo com a mesma facilidade com que aceitam as críticas de Yoani ao socialismo cubano...

Acesso a internet em cuba

Perguntada quanto ao acesso à internet em Cuba, a blogueira conta que o país inteiro possui o equivalente a quatro cybercafés da cidade de São Paulo. Ou seja, o acesso é ínfimo. Entretanto, ao contrário do que muitos podem imaginar, o pouco acesso à internet no país não é fruto da política de segurança nacional do governo cubano e sim do bloqueio econômico imposto pelos EUA. Os EUA simplesmente não permitem que a tecnologia chegue à Cuba. “É como amarrar uma pedra no corpo de uma pessoa, jogá-la na piscina e depois dizer que ela morreu porque não sabia nadar. É isso que os americanos fazem conosco".

Entretanto, no que se refere a este assunto, Norelys finaliza com uma boa notícia: Uma pareceria selada entre cuba e governo da Venezuela permitirá, em breve, a expansão da banda larga no país. A expectativa para os próximos anos é de cada vez mais cubanos na rede. Tudo graças à solidariedade bolivariana.