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domingo, 25 de março de 2012

Protógenes cobra de Roberto Gurgel informações sobre investigação envolvendo Demóstenes


Deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) pede detalhes sobre processo encaminhado à Procuradoria-Geral da República em 2009 que contém relações de Carlinhos Cachoeira com políticos 

MURILO RAMOS



O deputado federal Protógenes Queiroz (Foto: José Cruz/ABr )

Na quarta-feira (21), o deputado federal delegado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) encaminhouofício ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, em que solicita informações sobre a existência de “deputados, senadores, ministros e autoridades” na quebra de sigilo telefônico de um processo originado na Vara Federal de Anápolis (GO) em 2008. Queiroz também questiona Gurgel se o processo foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), casos em que senadores, deputados e ministros são investigados em função da prerrogativa de foro privilegiado.
De acordo com reportagem do jornal O Globode sexta-feira (23), a Polícia Federal interceptou ligações telefônicas entre o bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira- preso durante a Operação Monte Carlo da PF há quase um mês - e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Nas conversas, Demóstenes pede R$ 3 mil a Cachoeira para pagar uma empresa de táxi-aéreo e repassa informações sobre reuniões mantidas no Executivo, Legislativo e Judiciário. As conversas captadas pela PF reforçam as ligações de Cachoeira com o senador. ÉPOCA já havia revelado que Demóstenes ganhara um aparelho de rádio, habilitado nos Estados Unidos, exclusivo para conversar com Cachoeira, além de uma geladeira e um fogão.





·         Roberto Gurgel, procurador-geral da União (Foto: Renato Araújo/ABr)

O relatório da Polícia Federal, em que também são citados os deputados goianos Carlos Alberto Leréia (PSDB) e Sandes Júnior (PP), foi encaminhado à PGR em setembro de 2009. Desde então, Roberto Gurgel não tomou nenhuma providência. É responsabilidade de Gurgel decidir se pede ao STF a abertura de inquérito contra Demóstenes Torres e os outros parlamentares citados no processo.

Por meio da assessoria de imprensa da Procuradoria-Geral da República, o procurador Roberto Gurgel afirmou que o processo “ficou sobrestado, pois havia uma relação com outra investigação ainda em curso”. Ainda de acordo com a PGR, o material que chegou em 2009 foi juntado ao material relativo à Operação Monte Carlo. Quanto aos pedidos de informações provenientes de parlamentares, a PGR não deverá atendê-los. “São informações cobertas pelo sigilo e, portanto, não temos como informar o conteúdo desse material”, afirmou a assessoria de imprensa da PGR.

sábado, 17 de março de 2012

Sem uma esquerda partidária forte, para onde vai o mundo?


Sem uma esquerda partidária forte, para onde vai o mundo?

*Por Milton Temer

É a questão fundamental de nosso tempo. Para onde caminha a humanidade com a forma predatória e antisocial com que se afirma de forma crescente e acelerada a hegemonia do grande capital financeiro? Com a forma como se afirma a perversidade das austeridades fiscais que sufocam homens e mulheres dependentes de seus empregos e salários com a mesma intensidade com que se transferem recursos públicos infindáveis para os cofres dos que mais responsabilidade têm na geração do caos econômico dos tempos atuais?

O desabafo vem por conta do artigo produzido por um dos yuppies do nosso “livre mercado”, Rodrigo Constantino, em artigo produzido no Globo de hoje. Ali ele faz – por via indireta, numa espécie de resenha de um livro típico das bibliotecas “neocon” das organizações fundamentalistas norte-americanas – a apologia da “liberdade individual” absoluta. E o faz, ao fim e ao cabo, através da condenação de um princípio inscrito na Revolução Francesa, ao consolidar o poder burguês contra o absolutismo que marcava o regime monárquico anterior. O faz, transformando a preocupação com o social em marca do autoritarismo; negando a fraternidade como um objetivo a alcançar numa sociedade humanisticamente avançada. A valorização da solidariedade seria uma forma de garantir os incompetentes contra os mais produtivos…

O trágico nisso tudo é que o anseio de restabelecer a ordem natural – a chamada lei da selva em que o predador mais forte consome o mais débil – como modelo social vem se espraiando rapidamente. Faz sentido, na lógica predominante dos governos reacionários das principais potências capitalistas, eleitos em sufrágios universais,  e de seus formuladores na grande mídia conservadora. Mas é algo absurdo, se considerarmos o que representa de retrocesso no entendimento que o ser humanos só pode sobreviver dignamente em ambiente social regulamentado. Onde, no mínimo, se garanta a aplicação da Carta de Direitos que gerou a fundação da ONU. Afinal, foi essa a resposta que a humanidade encontrou como melhor antídoto ao advento da barbárie previsível caso tivesse prevalecido a vitória do III Reich nazista, na II Guerra Mundial.

É aí que se impõe a busca de solução ao desafio para as forças sociais que não aceitam esse retrocesso: com que roupa?, como indagaria o saudoso poeta da Vila.

O século XXI se marca pelo ceticismo e pela ausência de participação política daqueles que, no século XX, como segmento social, se engajaram na “assalto ao céu”. Os que viram perto a conquista de uma certa utopia, nas processos revolucionários que se iniciaram na Russia e chegaram a Cuba. Na solidariedade às lutas antiimperialistas na Ásia e na África. Na integração com a vaga anticapitalista e anunciadamente transformadora do 68, na Europa e nas Américas (inclusive nos Estados Unidos, com os Black Panters e as revoltas universitárias). Ceticismo e ausência de participação, ambos cronologicamente instalados com a autodissolução da União Soviética e com os descaminhos dos outrora heróicos processos libertários na China e no Vietnam. E que, se encontram atualmente alguma variável mais otimista com a sobrevivência de Cuba e com o surgimento dos governos bolivarianos na América Latina, se defrontam com a ascensão de uma direita radical que consegue amplas vitórias institucionais, a despeito de alguns suspiros movimentistas sem maiores condições conclusivas, nos principais países capitalistas.

O povo grego está nas ruas. Mas, nas instâncias deliberativas do Parlamento, socialdemocratas se rendem a uma aliança com a direita fascista na submissãos aos ditames da chanceler Merkel. Que consegue, pela opressão financeira e a cumplicidade das classes dominantes dos países europeus, instalar o Reich sonhado por Hitler, com a Gestapo e os campos de concentração.

“Indignados” jovens ocuparam praças da Espanha, mas não conseguiram impedir que seus pais elegessem um primeiro ministro, com maioria reacionária absoluta no Congresso. É o general Milan Astray voltando a se impor a Unamuno, numa nova derrota da República contra o franquismo.

Com que roupa, volta a pergunta, reagimos?

Só há uma saída, e ela tem que ser construída a partir do entendimento sobre o polo unificador das esquerdas anticapitalistas na determinação do sujeito histórico revolucionário de nosso tempo, assim de seus instrumentos combate político mais eficazes.

É possível reproduzir o século XX e suas circunstâncias? Certamente que não. É possível pensar em processos insurrecionais, a partir do movimentismo espontâneo? Certamente que não. Na Primavera Árabe, não foram os insurgentes progressistas que receberam armas e ajuda da OTAN e dos Estados Unidos, nem recursos e mercenários da Arábia Saudita e do Quatar. Pelo contrário.

As classes trabalhadoras, o segmento produtivo que vive de seu salário, se encontram fragmentadas em torno de diferenças materiais objetivas, no chamado Ocidente. O próprio avanço tecnológico, com predominância do caráter sagrado da propriedade privada sobre a sua função social, produziu o esvaziamento das linhas de montagem e, por consequência, dos próprios sindicatos. Graças ã “livre circulação”, promovida pela contra-revolução Reagan-Tatcher, indústrias de ponta são transferidos para regiões do mundo onde o trabalho escravo é alternativa de sobrevivência à miséria absoluta. O que transforma antigos núcleos operários, votantes da esquerda socialista ou comunista, em bastiões da xenofobia anti-imigração, e caldo de cultura para o neonazismo.

O quadro não deixa dúvidas quanto à Europa estar muito mais para anos 30 do que para o pós-II Guerra Mundial.

O que cabe à esquerda sobrevivente, a que não se rendeu nem se vendeu, é mergulhar nas potencialidades fragmentadas que a nova conjuntura impôs. Se não temos os grandes meios de comunicação de massa, temos que ir para as redes sociais. E, a partir delas, consolidar os partidos revolucionários em âmbito nacional, com permanente relação internacional. Dar rumo e política à indignação das ruas, mas sem desprezar – pelo contrário, tentando recuperar o espaço – a batalha institucional das urnas. Uma batalha que não pode se limitar a responder à pauta minimalista que a grande mídia conservadora tenta impor. Uma batalha que fundamente a necessidade essencial da desconstrução do regime capitalista com saída única para que a humanidade não mergulhe no caos irreversível da barbárie auto-destrutiva. Consolidando as lutas dirigidas – ambientais, antiraciais, feministas -, mas sem desvinculá-las da visão universal do embate entre classes sociais. Uma feminista de direita pode ser inimiga mais perigosa do que um patrão. Estão aí Tatcher e Merkel para comprovar. Malcom X já comprovava que a luta pela igualdade racial abirgava muito falacioso, que não unia a luta pela liberação dos negros à condenação do regime capitalista. E os “verdes” europeus – CohnBandit, como exemplo maior, em seus votos no Parlamento continental – estão aí para provar, com reforço dos nossos, que lutar contra o ambiente termina propiciando rendosas alianças com o grande capital.

A esperança não pode falecer, mesmo que tudo leve a dela nos desligarmos. Depende de nós e recorro aqui ao episódio final do “Fahrenheit 451, obra-prima de Truffaut. Do que tratava o filme? De uma cidade onde o corpo de bombeiros existia para incendiar bibliotecas. Para, portanto, apagar o fogo das idéias e manter o status quo. A “ordem constituida” conseguiu muito, mas não tudo. Na últma cena, num acampamento de refugiados clandestinos, um homem caminha declamando Dom Quijote, para que a criança que levava pela mão, repetindo, não deixasse morrer a memória do texto para as gerações seguintes. Venceu, pelo menos até agora, à sua forma.

*Milton Temer é jornalista, socialista, libertário.

**Fonte: Luta que Segue

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A Privataria Petista


Laerte Braga

O governo arrecadou R$ 24,5 bilhões de reais com a privatização de três dos principais aeroportos brasileiros. O de Cumbica, o de Guarulhos e Viracopos em Campinas. Todos na República Tucana de São Paulo, controlada pelo esquema FIESP/DASLU, na ordem divina da OPUS DEI.

A alegação é a necessidade de obras de infraestrutura para a Copa do Mundo de 2014.

Em 2002, durante a campanha eleitoral, Lula falava da necessidade de um projeto Brasil. Ou seja, um projeto político que permitisse ao País encontrar os rumos necessários a sair do berço esplêndido em que se encontrava deitado. Candidato à época chegou a afirmar que só em três momentos da história do Brasil república houve um projeto efetivo e real nessa direção.

A era Vargas, o governo JK e a ditadura militar, segundo o petista – que ao citá-los não os julgou, evidente –, apresentaram propostas concretas para transformações no Brasil. O seu governo, foi mote de campanha, seria um novo projeto para o País, com dimensões capazes de transformá-lo em potência mundial.

O conceito de potência mundial é relativo. O Brasil de Lula inventou o “capitalismo a brasileira”, conceito de Ivan Pinheiro – secretário geral do PCB, o mais antigo partido existente aqui – e como potência regional pratica um sub-imperialismo em relação a seus vizinhos, nunca buscou de fato a integração latino-americana e a despeito do discurso de “independência”, submete-se aos interesses de banqueiros internacionais, grandes corporações e latifúndio.

As mudanças, ou os dados apresentados como positivos refletem apenas políticas assistencialistas – que, originalmente não teriam esse caráter – e hoje têm apenas o viés eleitoral. Uma aliança com Gilberto Kassab em São Paulo, por exemplo, o que é?

No duro mesmo somos um grande entreposto do capital internacional, subordinados a esse capital e nem rato que ruge o Brasil consegue ser no atual governo. Quase 50% das receitas orçamentárias do governo são para pagar dívidas.

Os serviços públicos voltam a se deteriorar com o abandono do servidor, as políticas de arrocho dos tucanos se manifestam na figura do ministro Guido Mantega e o que se percebe é que o mundo petista gira hoje em torno do ganhar ou não perder eleições, não importa como.

A máxima de Bias Fortes, ex-governador de Minas – “o feio em eleição é perder”.

O papel proeminente que o Brasil chegou a exercer no governo Lula através do Ministério das Relações Exteriores sumiu. A presença do “Brasil potência” dissolveu-se nos rumos dados à política externa pelo chanceler Anthony Patriot, uma espécie de míssil dos interesses norte-americanos de afastar o país do processo de integração latino-americana e sua interveniência em situações como a que se vê o Irã, por conta da desmedida boçalidade do capitalismo nazi/sionista de EUA e Israel.

Voltamos a ser coadjuvantes de um coral de amém.

Com os portos abertos e agora os aeroportos (portas de entrada de nossa casa), cada vez mais se configura a submissão ao modelo de globalização nos moldes falidos do neoliberalismo.

O governo Dilma mistura ingredientes do tucanato, mantém as políticas assistencialistas e marcha em passo de ganso para desaparecer na pequenez política da presidente.

O brutal episódio da tomada do bairro Pinheirinho, na cidade de São José dos Campos, São Paulo, um arranjo desafinado do governador paulista Geraldo Alckmin (amigo de Dilma) e empresários de seu estado, garantidos pela boçalidade de uma “instituição” cancerosa nas poucas células do que se imagina um estado democrático e de direito.

A absoluta omissão do governo federal, a despeito das vozes contrárias. Mas depois do fato consumado. Da barbárie acontecida.

E agora a privataria petista ao sabor dos interesses da organização mafiosa que comanda o futebol no mundo, a FIFA. É isso é apenas o discurso público, a privatização de aeroportos estava prevista desde o governo Lula.

O que Dilma pensa ganhar com essa virada até em relação ao governo Lula não sei. Imaginar que as omeletes que receitou aos brasileiros no programa de Ana Maria Braga sejam suficientes para aquietar a mídia de mercado é ingenuidade demais.

O que ocorre é o contrário. Ao perceber a fraqueza, a fragilidade política da presidente a mídia – braço do complexo de banqueiros, corporações e latifúndio – deita e rola. Cada semana um alvo/ministro num governo sem rumo ou mudando de rumo e mergulhando num abismo que as consequências, certamente, serão adversas.

A ira furibunda de setores do PT ao exigir respeito pelo partido se perde no desrespeito à história de lutas e a razão de ser do PT. Foi para o brejo, é um PSDB com alguns matizes diferentes do original.

A doença de “consultorias” tomou conta do partido, a burocracia (que não anda, que emperra e se torna pelega) mostra-se um veneno letal em comparação ao que se viu, por exemplo, nas eleições de 1989.

Por mais otimistas que sejam os discursos de Dilma em relação à crise que afeta países/colônias da Comunidade Europeia. Por mais que o cinismo e a arrogância de Barack Obama vá se manifestar neste ano por conta da disputa presidencial em seu país. Ou por mais grave que seja a crise nos EUA – reprimida pela Polícia com requintes de estado autoritário –, as nuvens que pairam sobre o Brasil, que resultam dos equívocos da presidente, da tucanização do PT, viva agora na privatização dos aeroportos e sabe-se o que vem pela frente, a soma dessas parcelas vai resultar num total difícil de digerir, vai exibir as contradições do chamado mundo institucional e a isso se adiciona o desmanche do Poder Judiciário e o descrédito do Poder Legislativo.

E não será, evidente, porque Miriam Leitão ou William Waack acham isso na pregação diária que juntam à alienação/alienante ao jornal das seis, das sete, de que hora for dos noticiários dirigidos à classe média (que não entende nada de bolsa de valores, mas escuta e vê atentamente o que a moça da vez fala), não será por essas razões que o governo vai se desmanchar e de repente o Brasil inteiro, numa espécie de acender de lâmpada, entenderá que não mudou nada de nada e que continuamos imersos em berço esplêndido a reboque de interesses que nada têm a ver com o tal projeto Brasil que Lula falava.

Estamos na era da Privataria Petista.

Privatização dos aeroportos: vergonha nacional!


A estatística dos 3 aeroportos a serem privatizados (Guarulhos, Brasília e Campinas) reflete bem a realidade do que vai ser subtraído do setor público. Eles são responsáveis por 30% do total dos passageiros, 57% do total das cargas e 19% das aeronaves em todo o País.
Paulo Kliass
O próximo fim de semana certamente será palco de muitas reuniões a portas fechadas, encontros discretos e momentos de tensão. Não me refiro aqui aos efeitos da violenta desocupação de Pinheirinho, nem às repercussões da desastrada operação na Cracolândia e muito menos à retomada dos trabalhos no Congresso Nacional. Na verdade, trata-se da tentativa de ressuscitar o nada saudoso processo de privatização de bens e serviços públicos aqui em nosso País. Eis mais uma incongruência que o governo traz à agenda, uma medida tão polêmica quanto anacrônica nos mundos de hoje, em que alguns dos principais dogmas do neoliberalismo estão sendo colocados em xeque, até mesmo por seus ideólogos nos países centrais. Mas aqui em solo tupiniquim, as coisas parecem funcionar ao revés. A bola da vez é a Infraero, empresa pública que se encarrega da gestão e operação dos aeroportos em todo o território nacional.

O “lobby” pela privatização dos aeroportos
O pesado “lobby” que atua a favor da privatização dos serviços aeroportuários é antigo e conhecido. Desde os tempos de ouro da hegemonia da agenda do Consenso de Washington que os representantes do setor privado vêem com olhos gordos essa verdadeira mina de fazer dinheiro fácil, às custas do monopólio dos bens públicos. Nos tempos em que o discurso contra a presença do Estado na atividade econômica era considerado irreparável esse foi um setor que conseguiu resistir e não ser repassado à exploração pelo capital. Uma das razões para tal fato refere-se, sem sombra de dúvida, à natureza estratégica dos aeroportos e de sua tangência evidente com as questões de segurança e soberania nacionais.

E, ao que tudo indica, setores expressivos das Forças Armadas nunca foram muito simpáticos à idéia de transferir tal atividade ao setor privado. Mas os interesses empresariais não haviam desistido de tal projeto e estavam apenas à espreita para saltar em cena no momento adequado. Quis a ironia da historia, que tal oportunidade fosse oferecida, assim de bandeja, justamente por um governo comandado pelo Partido dos Trabalhadores.

O caminho foi sendo pavimentado aos poucos, sem muita pressa. Todos nos lembramos da forma como os meios de comunicação têm tratado a questão do chamado “apagão aéreo” ao longo dos últimos anos. É preciso reconhecer que o quadro dos aeroportos tem ficado cada vez mais crítico. Mas isso ocorreu por um verdadeiro sucateamento a que foi submetido o setor. Ou seja, a situação a que chegaram os aeroportos brasileiros contou com a conivência do próprio Estado. A política de arrocho orçamentário e de cortes nas rubricas de investimento em infra-estrutura contribuiu para aprofundar as dificuldades de oferta de condições adequadas para a operação aeroportuária em nosso País. No entanto, a versão oferecida para a maioria da população, como sempre, acentua apenas a suposta incapacidade do setor público em gerir o setor com padrões de eficiência. A solução seria a bem conhecida panacéia para todos os males: transferir para o setor privado. Aliás, estamos cansados de assistir às demonstrações de tal eficácia do capital na crise atual que assola o planeta. Na hora do aperto, sempre grita pela ajuda do Estado!

Por outro lado, a realização da Copa do Mundo em 2014 e os compromissos assumidos pelo Brasil perante a FIFA e a comunidade internacional passaram a atuar como elemento de reforço da versão catastrofista. E mais uma vez o discurso em favor da eficiência do setor privado prevalece. O tempo é curto, as necessidades são urgentes, não existe alternativa viável que não seja a privatização - os argumentos se repetem. Assim, em função de um fluxo aéreo extraordinário e concentrado durante tão somente um mês da competição, decide-se por transferir toda a operação dos aeroportos, por décadas, para o capital privado.

O leilão marcado para dia 6/2
Agora a cena toda está montada para a segunda-feira, dia 6 de fevereiro, quando deverão ser realizados os leilões para a privatização de alguns dos principais aeroportos do Brasil. Apesar de todos os protestos e manifestações contrárias ao processo por parte de entidades do movimento sindical, de especialistas na matéria, de órgãos da sociedade civil organizada e até mesmo do Tribunal de Contas da União (TCU), o governo permaneceu irredutível na manutenção da data e das condições previamente estabelecidas desde meados do ano passado.

Serão leiloadas as concessões dos aeroportos de Guarulhos (SP), Brasília (DF) e Campinas (SP). Esses três são considerados dentre os mais rentáveis e os menos problemáticos de todo o conjunto da Infraero. As condições são as melhores possíveis para os interessados. Tanto que o preço inicial solicitado no leilão do aeroporto de São Gonçalo do Amarante (RN) foi largamente superado durante o leilão realizado em agosto de 2011. Naquela espécie de experiência piloto dessa nova onda de privatização, o valor pago pelo consórcio vencedor foi quase 230% superior ao preço inicial fixado pelo governo.

Guarulhos tem um lance mínimo fixado em R$ 3,4 bilhões, com concessão de 20 anos. Viracopos tem um valor inicial estipulado em R$ 1,5 bilhão e prazo de uso de 30 anos. Brasília teve o lance mínimo arbitrado em R$ 582 milhões, com prazo de uso de 30 anos. As regras prevêem que seja formada uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) com o objetivo de gerir o excelente negócio. Na verdade, trata-se de um eufemismo jurídico para a famosa Parceria Público Privada (PPP), onde o capital privado fica com 51% dos votos e a Infraero com 49%. Como há necessidade de realizar investimentos para ampliação e modernização, com certeza a SPE receberá empréstimos do BNDES e de outras fontes federais com todas as facilidades e juros subsidiados. E o que mais impressiona é que o edital admite até mesmo a possibilidade de participação de empresas estrangeiras na gestão dos aeroportos. Uma verdadeira irresponsabilidade, dada a natureza estratégica desse tipo de atividade e os riscos envolvidos com a questão de segurança nacional.

O Estado tem recursos para investir
O principal argumento utilizado pelo governo para lançar mão da privatização é a tão propalada falta de verbas para investimento. Porém, a verdade dos fatos desmente essa versão enganosa. Recursos sobram no Orçamento! O problema é a prioridade definida pelas autoridades para sua utilização. Encerradas as contas de 2011, por exemplo, apurou-se que o Estado brasileiro forçou a geração de um superávit primário no valor de R$ 130 bilhões ao longo do ano. Uma loucura! Mais de 3% do PIB destinados exclusivamente para o pagamento de juros da dívida pública. Um número que se revela 30% mais elevado do que o superávit de 2011. E agora basta uma simples comparação. A operação de privatização desses 3 aeroportos vai render R$ 240 milhões por ano aos cofres da União. Ou seja, se houvesse destinado apenas minguados 0,2% do superávit a cada ano para esse importante compromisso, não precisaria transferir a concessão dos aeroportos ao capital privado. Mas a vida é feita de escolhas. E elas revelam a essência de nossas verdadeiras vontades.

A Infraero é responsável pela gestão de 66 aeroportos em todo o território nacional, Eles representam 97% do movimento do transporte aéreo regular, o que corresponde a 2,6 milhões de pouso e decolagens, transportando mais de 155 milhões de passageiros por ano. Como esse serviço não é o mercado da batatinha (“não gostei do serviço, vou aqui no aeroporto da esquina”...), a SPE tem assegurada a renda das tarifas por passageiro embarcado e aeronave na pista. Um negócio com perspectivas crescentes de ganho e rentabilidade, inclusive porque em 2011, pela primeira vez, a população brasileira passou a utilizar mais o avião do que o ônibus para o transporte interestadual.

Apesar de todas estas evidências, a opção foi de repassar à exploração privada os aeroportos mais promissores, sem nenhuma exigência de contrapartida, como a responsabilização do consórcio ganhador por aeroportos de menor fluxo, mas de grande importância no trânsito regional. É o caso das unidades da Amazônia, por exemplo. A estatística dos 3 aeroportos a serem privatizados reflete bem a realidade do que vai ser subtraído do setor público. Eles são responsáveis por 30% do total dos passageiros, 57% do total das cargas e 19% das aeronaves em todo o País. Assim, fica claro que a Infraero deverá perder parcela significativa de sua fonte de receitas, pois boa parte dos demais aeroportos apresenta baixo faturamento, que tem como principal fonte as taxas aeroportuárias cobradas das empresas e dos passageiros.

Assim, a pergunta que todos nos fazemos é simples e direta: por que a Presidenta Dilma decidiu, então, pela privatização? Como os argumentos relativos à escassez de recursos não resistem ao exame atento dos números do orçamento, a única explicação plausível é de que ela teria sido convencida de que a gestão aeroportuária não seria mesmo uma atividade típica de Estado. E aí o quadro ficaria bem mais complicado, abrindo margem para especulação a respeito da existência de lista contendo outros setores que poderiam vir a sofrer o mesmo tratamento.

Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Jornal Nacional distorce contra Cuba

Por Rogério Tomaz Jr.

Em agosto de 2011 as Organizações Globo lançaram, com grande estardalhaço, um documento intitulado "Princípios Editoriais", contendo as "normas e condutas que os veículos do grupo devem seguir para que seja cumprido o compromisso de oferecer jornalismo de qualidade", conforme noticiou o G1, portal do grupo.

Quem conhece minimamente o histórico dos meios de comunicação da família Marinho – no conjunto da população brasileira, é um contingente ínfimo de pessoas – sabe que os tais "princípios" não passam de alegoria, balela, conversa pra boi dormir, (mais uma) tentativa de iludir ou enganar incautos sobre a verdeira natureza do grupo Globo: uma instituição política disfarçada de empresa de informação e entretenimento.



Indo ao que interessa, na edição do Jornal Nacional – principal produto jornalístico da Globo, que é assistido todas as noites por dezenas de milhões de pessoas em todo o Brasil – de terça-feira (31/1), foi exibida uma reportagem sobre a visita da presidenta Dilma a Cuba.

A abordagem da emissora, que considera Cuba uma ditadura onde a liberdade é sufocada e o povo vive oprimido, não espanta e nem sequer incomoda muito, embora a parcialidade se transforme muitas vezes em desonestidade.

“O diabo está nos detalhes”, diz um célebre ditado inglês.

No encerramento da matéria, o apresentador William Bonner leu nota que seria uma manifestação da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara Federal. Para isso o JN recorreu ao 2º vice-presidente do órgão.

“Sobre as declarações de Dilma, o vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Arnaldo Jordí, do PPS do Pará, lamentou que o governo brasileiro tenha deixado a garantia dos direitos individuais fora da pauta de discussões em Cuba. O deputado disse ainda que a comunidade internacional não aceita mais a privação de direitos como a liberdade de expressão e de organização política”. (William Bonner, JN, 31/01/2012).

Curioso a emissora ter recorrido à terceira pessoa na hierarquia da CDH – a presidenta é a deputada Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) e o 1º vice-presidente é o deputado Domingos Dutra (PT-MA) – apenas para garantir a manifestação de um deputado que faz oposição ao governo federal, embora apresentado como porta-voz de uma instituição especializada nas questões de direitos humanos.

Questionei a deputada Manuela D’Ávila pelo Twitter e ela confirmou que não foi procurada pela reportagem, como eu suspeitara. E falei por telefone com o deputado Dutra, que também não foi contatado pela Globo.

O fato grave, gravíssimo, é que a emissora, ao ignorar a hierarquia institucional da Comissão de Direitos Humanos, apenas para emprestar à sua reportagem um ar de isenção e legitimidade que o órgão reconhecidamente possui, desrespeitou o órgão e, assim, assinou o atestado de partidarização da pauta, o que fere os seus princípios editoriais (leia abaixo).

Pior ainda, pregou uma peça em toda a audiência do telejornal, que saiu com a impressão de ter ouvido uma declaração da Comissão de Direitos Humanos criticando o governo.

Essa é a ética da Rede Globo. Esse é o respeito pelos princípios editoriais que os herdeiros de Roberto Marinho assinaram, em nome dos seus filhos e netos.

Da Manuela D’ávila e de Domingos Dutra, a Globo jamais arrancaria uma crítica à postura do governo de não abraçar a pauta da oposição, que só fala de direitos humanos em países inimigos dos EUA: Cuba, Irã, Venezuela, entre outros.

Jamais você vai ouvir alguém do PSDB ou do DEM (ou algum veículo da Globo) falar – talvez algum político do PPS fale – sobre as violações de direitos humanos no Iraque, no Afeganistão, na Arábia Saudita ou mesmo nos EUA, que tem extensa folha corrida de desrespeito aos direitos básicos da sua própria população.

Daí a forjar uma manifestação da Comissão de Direitos Humanos da Câmara é uma prática típica dos assassinos que dizem, com as mãos ensanguentadas diante da vítima: “a culpa é do punhal”.

Seria muito importante, a bem da verdade, que a Comissão se pronunciasse a respeito dessa fraude político-jornalística.

Lamentável. Mas não surpreendente.

Mais uma vez, a Rede Globo mostra – ainda que sutilmente – a sua verdadeira natureza: uma organização política.

Leia alguns trechos dos Princípios Editoriais da Globo que rejeitam a partidarização do trabalho noticioso http://g1.globo.com/principios-editoriais-das-organizacoes-globo.html

*****

Um jornal de um partido político, por exemplo, não deixa de ser um jornal, mas não pratica jornalismo, não como aqui definido: noticia os fatos, analisa-os, opina, mas sempre por um prisma, sempre com um viés, o viés do partido. E sempre com um propósito: o de conquistar seguidores. Faz propaganda. Algo bem diverso de um jornal generalista de informação: este noticia os fatos, analisa-os, opina, mas com a intenção consciente de não ter um viés, de tentar traduzir a realidade, no limite das possibilidades, livre de prismas. Produz conhecimento. As Organizações Globo terão sempre e apenas veículos cujo propósito seja conhecer, produzir conhecimento, informar.

(…)

h) É imperativo que não haja filtros na composição das redações.

i) As Organizações Globo são apartidárias, e os seus veículos devem se esforçar para assim ser percebidos;

As Organizações Globo serão sempre independentes, apartidárias, laicas e praticarão um jornalismo que busque a isenção, a correção e a agilidade (…).”

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Isso sim é primazia

Vi todos os meus compatriotas chorando e olhando para o nada, resolvi perguntar:
- Qual a razão desse choro?
Ninguém respondeu...
Como já estava atrasada para meu compromisso, não dei atenção e segui o “meu” caminho.
Durante toda a jornada, fiz a mesma coisa: arrumei as documentações dos clientes interessados em adquirir um imóvel, quando acabou o expediente, segui normalmente para casa e não observo nada ao meu redor, estava tão afobada, tinha que preparar o jantar.
Chegando a casa, joguei os sapatos em qualquer canto, sentei um pouco e como costume ligo a TV e um som horrível invade meu mundo....
- Morreu, matou, assaltou, eu falei, prenderam, roubou, coitado, político corrupto, governo que é culpado, compre uma TV LCD, os homens de bem dirigem o carro X..., fique mais bonita, Dengue...
Dou um grito:
- Chega!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Levanto e vou até a cozinha preparar algo para comer, tomo uma ducha bem gostosa e coloco uma roupa confortável.
Olho o relógio e noto que a noite já é presente e ainda não fiz nada, estou sempre cansada, parece que falta até o ar, durmo e na manhã seguinte... o mesmo ritual.
O tempo sempre presente, e meu cotidiano ausente...
- Ausente?????????
- Por qual razão???????
Faço essa pergunta ao meu companheiro consciência...
Ele mostra as pessoas chorando novamente...
Vou até elas e pergunto:
- Qual a razão do choro????
Um menino lindo, de olhos negros e com um olhar sem rumo, sorri e fala:
- Não liga não moça... Todos os dias eu choro e alguém  indaga o motivo... 
Vá, siga seu caminho, nosso problema não tem solução...
Disse:
- Ok
Fui embora e concordei com o menino!!!
Oras, estou atribulada demais com os documentos da casa “própria” do meu cliente, esta que  é a minha primazia...

Diva Franco.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Sinto um cheio no ar... pior que o fétido de 1964... AI 5 e Cia...



"Olha só, em vez de pegar no pé da meninada, vai pegar político filho da puta", falou Rita Lee. Conclusão: Depoimento na Delegacia.




A cantora Rita Lee foi levada à Delegacia Plantonista de Aracaju na madrugada de hoje, após seu show de despedida, em Sergipe. Ela se apresentava no Festival de Verão do Estado na cidade de Barra dos Coqueiros, a 2 km da capital (Aracaju).

Por volta das 3h da manhã, a cantora avisou em seu Twitter sobre a ação da Polícia Militar (PM). "Polícia dando trabalho p/ mim, quer me prender, embasamento legal ñ há, ñ retiro uma palavra do q disse, o show era meu! [sic]". 

Sinto um cheio no ar... pior que fétido de 1964... AI 5 e Cia... 

Rita Lee reclamou da presença dos policiais e sugeriu a eles “fumar um baseadinho”. Logo em seguida, os militares se dirigiram ao palco e formaram uma parede humana na sua frente. Foi o estopim para a cantora, aos 67 anos de idade e quase meio século de carreira, reverberasse sua indignação.


Local.: Sergipe.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Poesia - DEUS COMUNISTA

Poesia - DEUS COMUNISTA

MEUS DEUS É COMUNISTA


Essa é minha oração

Por Miriam Pacheco da Silva Seixas


Deus! Hoje faria uma oração diferente,

Talvez quem a escute ache que é de uma descrente.

Mas em segredo Lhe revelo o que pra mim Tu és.


Tu, Deus, pra mim é comunista.

Disso tenho certeza, pois no comunismo acredito,

como acredito na criação do firmamento.

E se alguém disser que sou louca por isso dizer,

Direi não. Para mim Deus comunista há de Ser.


Deus! Porque isto afirmarei?

Afirmarei por que O vejo... Glorioso Deus,

que Tu está em tudo que vejo.

Está nos raios de sol que invade grutas e matas.

Está na maravilha do amanhecer e ao surgir a escuridão do anoitecer.

Está nas gotas de orvalho que cai na terra e em milagre faz germinar

uma semente, sinal de vida.


Está ainda, em gestos singelos, de seres sinceros,

que acreditam na igualdades dos povos,

e no direito comum para todos.

E com sinceridade, pratica o bem sem olhar a quem.


Tu! Ó Deus!

É tão comunista, que a nós, suas criaturas,

nos fez a sua imagem e semelhança,

e Tu és tão comunista que ainda disse: " façamos",

Tu dividiu sua obra com os demais entes divinos.

E pra nos resgatar deu seu filho unigênito

para ser nosso primogênito.

De criaturas nos fez filhos.


É um pai amoroso, como é um comunista.

Respeita a individualidade de cada criança sua.

Por isso, nos deu o livre arbítrio.

E ainda digo mais...


Se não fôssemos, nós, homens errados,

De Ti aprenderíamos a lição, amar ao próximo

em qualquer condição.


Mas erramos demais e demais pecamos,

e mesmo assim Tu és paciente,

nos espera confiante.


E nos fez uma promessa:


Nos dará novos céus e nova terra.

E, acredito Meu Deus, que isso só se dará

Se o ser humano em Ti espelhar,

E, na Nova Jerusalém do Céu,

Todos então, comunistas serão.


Amem!