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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Isso sim é primazia

Vi todos os meus compatriotas chorando e olhando para o nada, resolvi perguntar:
- Qual a razão desse choro?
Ninguém respondeu...
Como já estava atrasada para meu compromisso, não dei atenção e segui o “meu” caminho.
Durante toda a jornada, fiz a mesma coisa: arrumei as documentações dos clientes interessados em adquirir um imóvel, quando acabou o expediente, segui normalmente para casa e não observo nada ao meu redor, estava tão afobada, tinha que preparar o jantar.
Chegando a casa, joguei os sapatos em qualquer canto, sentei um pouco e como costume ligo a TV e um som horrível invade meu mundo....
- Morreu, matou, assaltou, eu falei, prenderam, roubou, coitado, político corrupto, governo que é culpado, compre uma TV LCD, os homens de bem dirigem o carro X..., fique mais bonita, Dengue...
Dou um grito:
- Chega!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Levanto e vou até a cozinha preparar algo para comer, tomo uma ducha bem gostosa e coloco uma roupa confortável.
Olho o relógio e noto que a noite já é presente e ainda não fiz nada, estou sempre cansada, parece que falta até o ar, durmo e na manhã seguinte... o mesmo ritual.
O tempo sempre presente, e meu cotidiano ausente...
- Ausente?????????
- Por qual razão???????
Faço essa pergunta ao meu companheiro consciência...
Ele mostra as pessoas chorando novamente...
Vou até elas e pergunto:
- Qual a razão do choro????
Um menino lindo, de olhos negros e com um olhar sem rumo, sorri e fala:
- Não liga não moça... Todos os dias eu choro e alguém  indaga o motivo... 
Vá, siga seu caminho, nosso problema não tem solução...
Disse:
- Ok
Fui embora e concordei com o menino!!!
Oras, estou atribulada demais com os documentos da casa “própria” do meu cliente, esta que  é a minha primazia...

Diva Franco.

Comuna de Paris: quando o proletariado tomou o céu de assalto - Portal Vermelho

O livro Comuna de Paris - o proletariado toma o céu de assalto, de Sílvio Costa, é relançado em coedição entre as editoras Anita Garibaldi, PUC-Goiás e Fundação Maurício Grabois. Ele situa o leitor no panorama histórico e os importantes fatos nele contidos e a correlação existente entre os acontecimentos, possibilitando-lhe tirar conclusões daqueles eventos.
Por Madalena Guasco Peixoto (*)

Na história da humanidade os acontecimentos se acumulam aos trilhões. Alguns se destacam, outros desaparecem em meio às inúmeras casualidades, próprias da maneira pela qual a história humana é tecida.
Compreender a importância de determinados fatos em relação aos demais — guardadas as necessárias correlações, quais sejam: retirar do particular o específico, buscando ultrapassar os limites estreitos do pontual, do cotidiano desprovido de lógica —, é tarefa científica, porque demanda o entendimento da história enquanto processo, conectada, não como uma sucessão de flashes, isolados; exige um mergulho no passado — por intermédio de uma análise —, de maneira a permitir que sejam destacados — entre tantos —, os fatos mais relevantes, os quais representam marcos que suscitam reflexões passíveis de atualização, todas as oportunidades que nos debruçamos sobre eles para estudo.
O interesse que move esse mergulho não é apenas teórico-abstrato mas é, sobretudo, ideológico, político e prático. Se o estudo histórico já tivesse sido entendido dessa maneira, a modernidade teria deixado um grande legado, não fossem tantos outros, os quais em nome do fim dessa modernidade e início de uma nova era — pós-moderna —, se reduzem metafisicamente aos dois extremos opostos, ou seja, simplificam o que é processo vulgarizando o estudo da história; pela negação da possibilidade do entendimento das relações e conecções de sua emaranhada teia.
Essa, portanto, tem sido a faceta mais sofisticada e sutil da proclamação do “fim da história”. Optar pelo estudo da história como ciência traduz-se numa escolha teórico- prática dentro da intrincada luta de ideias que ocorrida desde o final do século 20.
A Comuna de Paris é um estrondoso fato histórico, um enorme iceberg impresso na história da humanidade de forma definitiva, porque suscitou todos os tipos de registro e, desde aquela época, vem sendo estudado.
O próprio Karl Marx destacou a sua importância, retirando do que chamou "assalto aos céus" conclusões fundamentais, as quais vieram a compor-se como núcleo principal de sua teoria. No ano em que comemoramos 150 anos do Manifesto do Partido Comunista, a Comuna de Paris completa 127. E, a obra de Sílvio Costa nos ajuda a entender melhor a correlação entre estes dois relevantes acontecimentos.
Do Manifesto do Partido Comunista — programa maior, de luta pelo socialismo —, a construção em processo da teoria do proletariado decorre da análise das experiências históricas da tomada do poder pela classe operária.
O estudo da primeira revolução operária internacional, a Comuna de Paris, tem sempre relevância teórica. As reflexões que nascem desse estudo vão surgindo por meio da fácil leitura desta obra, Comuna de Paris: o proletariado toma o céu de assalto, dada a maneira didática como está construído o texto.
O trabalho de Sílvio Costa situa o leitor levando-o a entender o panorama histórico e os importantes fatos nele contidos e a correlação existente entre os acontecimentos, possibilitando ao leitor tirar as conclusões de tais ocorrências. Essa é uma preocupação que esta contida no corpo desta obra. Contudo, ela se expressa mais fortemente nos Anexos, apresentados em destaque ao final de sua edição.
A presente obra está marcada pelo empenho simultâneo de formar, informar e refletir. Trata-se de um cuidadoso projeto, o qual, ao ser publicado, traz em si a marca de um formador de opiniões, cujo estudo possui um objetivo prático: reflexão conjunta e crescimento mútuo.
Silvio Costa. Comuna de Paris - o proletariado toma o céu de assalto. São Paulo: Editora Anita Garibaldi; Goiânia : Editora PUC-Goiás, 2011
(*) Madalena Guasco Peixoto é professora na PUC-SP e Coordenadora da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (CONTEE).